Pra quem não quer mais do mesmo o mercado brasileiro brasileiro está
aí mandando bem pra caramba em títulos cada vez melhores, com narrativas
que não só conversam bem com o público quanto envolvem uma arte
sequencial inventiva, que não nega o clássico mas abraça inspirações
mais contemporâneas e não apenas o clássico quadrinho de super heróis. Na Quebrada – Quadrinhos de Hip Hop é uma antologia da Editora Draco
sobre histórias da periferia, por roteiristas e ilustradores diversos
que aceitaram a missão de contar histórias que rolam na quebrada, em
muitas situações que você com certeza já viu, mas não pelos olhos dos
quadrinhos. O que mais me surpreendeu quando terminei a leitura, é que
foram narrativas de final positivo, o protagonista da história podia ser
um rapper, uma dançarina de break com pernas artificiais, uma super
heroína preta ou até um pichador, mas o desfecho é sempre o inesperado
final feliz. Sim, porque quantas histórias sobre gente pobre envolvem
apenas finais trágicos ou uma aparente “superação” aos olhos de um
narrador que nem sabe como é a quebrada? E tudo isso nos mais variados
estilos, alguns espertamente colocados ali por remeterem ao grafite e ao
quadrinho underground.
O livro tem uma porrada de referências à letras e músicas que dominam
a cena desde que o rap foi criado lá pros anos 70 (a última história da
coletânea tem até um glóssario de 4 páginas), desde suas raízes nos
guetos de Nova Iorque até as batalhas no centro de São Paulo nos anos
80, seguindo até os nomes de hoje. Vale ler e reler, material pesado!
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